Formato: Conto digital
Quantidade de páginas: 18
Obra na Amazon: aqui
Classificação: 4/5
"É incrível como em uma cidade grande você pode se sentir tão só estando cercado de pessoas. Ninguém se incomoda com a dor dos outros. As pessoas passavam por mim sem sequer olhar para o lado." 
Como um conto pode ter a capacidade de me deixar boquiaberta, triste, com a garganta doendo por tentar conter lágrimas ousadas e extremamente surpresa? Minha gente, que loucura! Comecei a lê-lo sem nenhuma expectativa e com o decorrer da minha primeira leitura, agradeci aos céus por isso, admito. Todavia, após uma segunda leitura que já explico o motivo de ter sido feita, a autora me surpreendeu bastante com esse final chocante e triste. 

Nesta pequena história, conhecemos Aurora, uma moça bonita que tem amigas com personalidades bem diferentes e que acaba tendo a vida revirada praticamente do dia para a noite por conta de um acontecimento trágico, de forma desnecessária e do mesmo jeito que infelizmente ocorre com milhares de pessoas todos os dias. Confesso que fiquei muito irritada com as suas atitudes, uma vez que em uma situação de luto, ficou agindo como se nada demais estivesse acontecendo. Estranhei bastante. Não consegui sentir as emoções dela durante um bom tempo. Isso tudo na primeira leitura.

Sei que vocês devem estar me achando doida por ter lido o mesmo conto duas vezes e no mesmo dia. Vou explicar: estou com um sono danado e muito cansada, mas queria ler alguma coisa antes de dormir. Logo, apesar de ter iniciado a leitura sem pretensões, não estava conseguindo processar as informações direito e tudo mais. Sem falar que faz muito tempo que não leio um conto, então já não me lembrava direito da maneira com a qual a história é desenvolvida. Depois, insatisfeita com isso, resolvi ler de novo e ouvindo música, para ver se conseguiria fazer uma leitura legal. E consegui. Meus agradecimentos à Christina Perri.

Esse é o primeiro conto postado no blog, então procurei algum bonitinho para estrear. O escolhido foi o de Ivan Angelo
O mesmo fala sobre a questão do dinheiro, da insistência de um homem que não entende que não se compra um animal, se adota. Achei bonitinho o final, pois o menino podia ter aceitado a oferta, e quem acabou saindo como o ignorante foi o homem! 

Negócio de menino com menina

O menino, de uns dez anos, pés no chão, vinha andando pela estrada de terra da fazenda com a gaiola na mão. Sol forte de uma hora da tarde. A menina, de uns nove anos, ia de carro com o pai, novo dono da fazenda. Gente de São Paulo. Ela viu o passarinho na gaiola e pediu ao pai:
– Olha que lindo! Compra pra mim?
O homem parou o carro e chamou:
– Ô menino.
O menino voltou, chegou perto, carinha boa. Parou do lado da janela da menina. O homem:
– Esse passarinho é pra vender? 
– Não senhor.
O pai olhou para a filha com uma cara de deixa pra lá. A filha pediu suave como se o pai tudo pudesse:
– Fala pra ele vender.
O pai, mais para atendê-la, apenas intermediário:
– Quanto você quer pelo passarinho?
– Não tou vendendo não senhor.
A menina ficou decepcionada e segredou:
– Ah, pai, compra.
Ela não considerava, ou não aprendera ainda, que negócio só se faz quando existe um vendedor e um comprador. No caso, faltava o vendedor. Mas o pai era um homem de negócios, águia da Bolsa, acostumado a encorajar os mais hesitantes ou a virar a cabeça dos mais recalcitrantes:
– Dou dez mil.
– Não senhor.
– Vinte mil.
– Vendo não.

Achei um livro pequenininho que troquei em um projeto que aconteceu na minha escola, com a temática de contos. O exemplar é gratuito, pelo que está escrito na capa, mas nunca o havia visto antes e ao menos conheço alguém que o tenha. Percebi que não vejo muitos contos por aí, e como conheço alguns super bonitinhos e curtos, resolvi começar a postar alguns por aqui, criando uma coluna especial para eles. Confiram o mini texto abaixo:

Pequena história, grandes emoções
Divertida ou triste, real ou imaginária, uma boa história é sempre irresistível. Há várias formas de se narrar uma história e o conto é uma delas. 
E o que é o conto, afinal de contas? Alguns dizem que é uma narrativa bem mais curta do que o romance. Outros preferem destacar o fato de que o conto se concentra geralmente em um episódio central, envolvendo poucos personagens. Uma espécie de retrato de um acontecimento, aliás, que não pode passar de imaginação do escritor.
Criado a partir de uma situação real ou não, o conto sempre se destaca por seu aspecto literário. Um fato às vezes comum ganha um outro significado, graças à sensibilidade do escritor para revelar detalhes do comportamento humano que em geral não se percebe. 

Texto retirado do livro "De conto em conto".

Gosto de contos, pois são leituras rápidas e que na maioria das vezes, fluem super bem. O interessante é que muitas vezes lemos livros com muitas páginas e as emoções que ganhamos com o decorrer da leitura não podem ser comparadas com as dos contos, que possuem poucas páginas. Seja uma lição de vida, um gesto bonito que nos faz refletir, uma simples história para nos descontrair. Um conto é sempre bem vindo! 
E você? Gosta de contos? Qual o conto que já leu e mais gostou? Comente!